O observador
 

 
 
 
   
 
sexta-feira, janeiro 25, 2002
 
Voltei! Depois de semanas afastado de meu espaço virtual, resolvi voltar a escrever. Para falar a verdade, estava de saco cheio, sem inspiração e achando que esse blog estava uma droga, desinteressante e muito cabeça. Agora, resolvi imitar as revistas e os jornais que são lançados e um mês depois, contabilizados os fracassos de venda, resolvem mudar de logotipo, linha editorial, chefia etc e tal. Essa coisa de texto filosófico não dá nenhum Ibope. O negócio é ser popular. Já estou, inclusive, fazendo um curso intensivo sobre teledramaturgia brasileira e mexicana, música brega e baiana (será que fui redundante?) e culinária para aumentar o meu público. Carência afetiva? Não...estratégia de marketing. É preciso ser visto! Quem sabe, em pouco tempo eu não vou estar vendendo gordos anúncios publicitários por aqui. Também vou fazer uma mudança no visual do site: cores quentes, fotos, infográficos...vai valer de tudo para chamar a atenção. Só não vou usar uma foto minha, pelado, porque tenho certeza de que o resultado será exatamente o contrário do que foi com a Luma: vou perder audiência. Se tivesse uma equipe de redatores para o meu blog, as medidas já estariam definidas: redução de salários, transferência da galera para uma redação menor e demissões. Mas, como não tenho, me comprometi a diminuir o número de pacotes de biscoitos recheados de chocolate que compro por semana, para reduzir os custos. Ah, também vou mudar o blog de nome. Vou fazer um concurso para a escolha do novo. O vencedor vai ganhar um dos pacotes de biscoito que eu deixarei de comer. Tenho certeza de que se seguir certinho a receita de bolo, terei um índice de leitura altissímo, ficarei rico e poderei até influenciar na eleição de algum vereador de Nikity, minha terra natal. O único problema é que, já usando meus estudos de teledramaturgia, Alah vai me jogar no fogo do inferno, queimar a minha pele e fazer outra novinha só para queimar de novo. Aguardem meu novo blog!

domingo, dezembro 23, 2001
 
Novas subjetividades: conexões intempestivas

Esta é a segunda vez que vou dar o lugar reservado ao meu texto neste espaço cibernético para uma outra voz. Mas,tenho certeza de que está valendo a pena (espero que vocês achem isso também). Afinal, Pablo Neruda tem a capacidade de falar por qualquer um. O texto que vou transcrever agora não é dele mas também é um diamante raro. Fala de coisas que estão na nossa frente, bem aos nossos olhos, mas que ainda não nos despertam. Fala do nosso futuro, do futuro do nosso pensamento, dos nossos valores, daquilo que chamamos de realidade e de verdade. Sabe aqueles filmes de ficção científica que a gente adora ver comendo pipoca? Ao ler o texto abaixo você vai perceber que eles não estão tão fora na nossa realidade assim... bom deleite!!!

" Senhor....se não restam mais humanos, que ao menos restem robôs. Ao menos a sombra do homem!" (Keral Capel, 1920)

Com tonalidades diferentes, que vão do diagnóstico eufórico ao vaticínio apocalíptico, dos exercícios futuristas às manifestações de terror e fascinação (que constituem a música do nosso sublime tecnológico) poderíamos apontar um enunciado como o mais constante entre os pensadores atuais: as fronteiras que, para a experiência ocidental moderna, forneciam os parâmetros a partir dos quais o homem experimentava o mundo e a si mesmo, mais do que tornadas incertas, foram erodidas. constituindo para a atualidade uma outra e nova configuraão.
Assim, as antigas dualidades cultura e natureza, humano e não-humano (animal ou máquina), corpo e espírito, orgânico e inorgânico, real e simulado, que a modernidade vivenciou como jogos de oposição, constituindo sua tipologia estruturante, onde se jogava o jogo dos limites e das trangressões possíveis, estão hoje imbricadas neste universo onde a tecnologia aparece com uma dupla presença: condição de possibilidade e agente da passagem para um novo contexto.
Portanto, nos defrontamos com a historicidade dos limites e com a evidência de que pertence ao modo de atuação da tecnologia uma dinâmica permanente da constituição e transformação das fronteiras. Como isto só se tronou visível a partir dos hibidismos contemporâneos, podemos propor como ponto de partida um duplo movimento teórico: à substituição das oposições pelas imbricações corresponderia a passagem da tipologia à topologia, o mesmo que falar da crise da diferença como lógica de sentido e do novo princípio de conexão.
Considerando que a técnica é o ambiente e o motor desta transformação, o que está comparecendo é uma imediata alteração de nossa relação com a técnica: enquanto a pensávamos como instrumento (o nosso artefato técnico), ou mesmo quando a experimentávamos como prótese, ou seja, como nossas extensões, o interesse residia na eficácia obtida, isto é, na realização, cada vez melhor e mais rápida das ações desejadas... (continua outra hora)

quinta-feira, dezembro 13, 2001
 
QUIEN MUERE............de PABLO DERUDA

Muere lentamente quien se transforma en esclavo del habito, repitiendo todos los días los mismos trayectos, quien no cambia de marca, no arriesga
el vestir un color nuevo y no le habla a quien no conoce.
Muere lentamente quien hace de la televisión su guru.
Muere lentamente quien evita una pasión, quien prefiere el negro sobre él blanco y los puntos sobre las "ies" a un remolino de emociones,
justamente las que rescatan el brillo de los ojos, sonrisas de los bostezos, corazones a los tropiezos y sentimientos.
Muere lentamente quien no voltea la mesa cuando esta infeliz en él trabajo, quien no arriesga lo cierto por lo incierto para ir detrás de un sueño quien no se permite por lo menos una vez en la vida, huir de los > consejos sensatos.
Muere lentamente quien no viaja, quien no lee, quien no oye música, quien no encuentra gracia en si mismo.
Muere lentamente quien destruye su amor propio, quien no se deja ayudar.
Muere lentamente, quien pasa los días quejándose de su mala suerte o de la lluvia incesante.
Muere lentamente, quien abandonando un proyecto antes de iniciarlo, no preguntando de un asunto que desconoce o no respondiendo cuando le indagan sobre algo que sabe.

Evitemos la muerte en suaves cuotas, recordando siempre que estar vivo exige un esfuerzo mucho mayor que el simple hecho de respirar.
Solamente la ardiente paciencia hará que conquistemos una espléndida felicidad.
Pablo Neruda

quarta-feira, novembro 28, 2001
 
Vou aproveitar a liberdade que me foi concedida (por mim, claro) neste espaço para não cumprir o que disse na última atualização. Não falarei sobre a desvalorização das ciências humanas! Farei isso em outra ocasião, quem sabe até no próximo texto. Hoje, quero valorizar esse campo do saber. Vou fazer comentários sobre o livro "Breve história do corpo e de seus monstros", de Ieda Tuchermann. Para quem não sabe, Ieda é doutora em Comunicação e professora da UFRJ.
A palavra fantástico resumiria o tenho a dizer, mas quero falar mais. Já tive a oportunidade de ler e de estudar um número quase infinito de interpertrações da história da civilização (ou civilizações, como você quiser) ocidental, mas nunca uma onde a questão do corpo fosse tão central para a estrutura do pensamento humano. Ieda percorre a história, da Grécia Antiga ao século XX, descrevendo as diferentes formas com que o homem percebeu seu corpo e como isso afetou seu modo de pensar, suas ideologias e toda a estrutura social. A parte final do livro, para mim a mais fascinante, ela dedica à perda da noção de corpo ocorrida na sociedade dita pós-moderna. A informatização, a globalização e a virtualização estão fazendo com que nossa porção de pele cercada de ar por todos os lados fique cada vez menos importante. Namoro virtual, amizade virtual, espaços onde qualquer um pode assumir qualquer papel, integram essa nova realidade.
Parece loucura teórica mas serve de alerta, pelo menos para uma reflexão. Já que o mundo real (no sentido de paupável) está cada vez mais exigente com a nossa forma e nos pune por qualquer grama de gordura a mais, não seria mais fácil migrar para o virtual e assumir qualquer forma, socialmente aceita e querida por todos? Muitos adolescentes dizem que sim. Meu irmão é um deles. Com apenas 19 anos ele já é um forte candidato a ter um infarte, pelo menos toda vez que surge uma espinha no seu rosto. A solução, namorar na Internet!, Dizer que é moreno, alto, sarado e cheio de amor para dar, quase sempre para uma pessoa que diz a mesma coisa. Como os dois nunca vão se encontrar mesmo, não faz diferença. Vou recomendar o livro da Ieda para ele. Papo cabeça né? Prometo (ainda não decidi se vou cumprir, no etanto) que vou falar de algo mais leve na próxima.

segunda-feira, novembro 26, 2001
 
Olá pessoal! Esse é o meu primeiro texto nesta maravilhosa invenção tecnológica e comunicacional. Não vou negar que quando decidi ser jornalista tive (e ainda tenho, claro) o sonho de ter um veículo de comunicação. Aquele sonho que para os outros a gente sempre diz que é delírio (só para ninguém achar que você é maluco) mas que no fundo é levado a sério, pelo menos durante algumas meditações embaixo do chuveiro. Bem, mas não imaginava que fosse ser tão rápido e barato, para não dizer de graça!
É claro que este site não é um jornal ou qualquer outro veículo convencional de comunicação (não pensem que abandonei esse projeto ultra mega secreto). Mas é um lugar em que vou poder me expressar para todos os meus amigos, coisa que não faria num jornal. Dizer o penso, o que sinto, o que tenho vontade de passar para todos vocês é para mim, um exercício extremamente importante. Poderia fazer isso por e-mail, né? É. O gus, por exemplo, faz isso com freqüência, maravilhosamente. Confesso, no entanto, que a preguiça sempre foi mais forte nesse caso. Mas, agora vou me animar! Vou aproveitar esse fogo de palha para escrever, escrever e escrever. Pretendo transformar este humilde espaço cibernético num lugar de catarse, de pensamento livre, de crítica e também de muito debate. Sem formas e sem prazos (sim, faço questão de não ter prazo para atualizar essa página!). Para isso, conto com a visita de vocês. Não vou fazer grandes campanhas de marketing, anúncios na televisão ou coisas parecidas para divulgar meu endereço na rede mundial de computadores. Vou divulgá-lo apenas para as pessoas mais intimas. O restante das visitas ficará por conta de algum navegador perdido. Ah, contribuições serão bem vindas. Sempre deixarei um espaço para catarses terceirizadas.
Por hoje é só. Mas, como o vício da profissão não me larga, não percam na próxima atualização:
-Porque nosso país desvaloriza tanto as Ciências Humanas?

 
Primeiro teste para atualização

 

 
   
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