O observador
 

 
 
 
   
 
domingo, dezembro 23, 2001
 
Novas subjetividades: conexões intempestivas

Esta é a segunda vez que vou dar o lugar reservado ao meu texto neste espaço cibernético para uma outra voz. Mas,tenho certeza de que está valendo a pena (espero que vocês achem isso também). Afinal, Pablo Neruda tem a capacidade de falar por qualquer um. O texto que vou transcrever agora não é dele mas também é um diamante raro. Fala de coisas que estão na nossa frente, bem aos nossos olhos, mas que ainda não nos despertam. Fala do nosso futuro, do futuro do nosso pensamento, dos nossos valores, daquilo que chamamos de realidade e de verdade. Sabe aqueles filmes de ficção científica que a gente adora ver comendo pipoca? Ao ler o texto abaixo você vai perceber que eles não estão tão fora na nossa realidade assim... bom deleite!!!

" Senhor....se não restam mais humanos, que ao menos restem robôs. Ao menos a sombra do homem!" (Keral Capel, 1920)

Com tonalidades diferentes, que vão do diagnóstico eufórico ao vaticínio apocalíptico, dos exercícios futuristas às manifestações de terror e fascinação (que constituem a música do nosso sublime tecnológico) poderíamos apontar um enunciado como o mais constante entre os pensadores atuais: as fronteiras que, para a experiência ocidental moderna, forneciam os parâmetros a partir dos quais o homem experimentava o mundo e a si mesmo, mais do que tornadas incertas, foram erodidas. constituindo para a atualidade uma outra e nova configuraão.
Assim, as antigas dualidades cultura e natureza, humano e não-humano (animal ou máquina), corpo e espírito, orgânico e inorgânico, real e simulado, que a modernidade vivenciou como jogos de oposição, constituindo sua tipologia estruturante, onde se jogava o jogo dos limites e das trangressões possíveis, estão hoje imbricadas neste universo onde a tecnologia aparece com uma dupla presença: condição de possibilidade e agente da passagem para um novo contexto.
Portanto, nos defrontamos com a historicidade dos limites e com a evidência de que pertence ao modo de atuação da tecnologia uma dinâmica permanente da constituição e transformação das fronteiras. Como isto só se tronou visível a partir dos hibidismos contemporâneos, podemos propor como ponto de partida um duplo movimento teórico: à substituição das oposições pelas imbricações corresponderia a passagem da tipologia à topologia, o mesmo que falar da crise da diferença como lógica de sentido e do novo princípio de conexão.
Considerando que a técnica é o ambiente e o motor desta transformação, o que está comparecendo é uma imediata alteração de nossa relação com a técnica: enquanto a pensávamos como instrumento (o nosso artefato técnico), ou mesmo quando a experimentávamos como prótese, ou seja, como nossas extensões, o interesse residia na eficácia obtida, isto é, na realização, cada vez melhor e mais rápida das ações desejadas... (continua outra hora)

 

 
   
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